sobre


Ah. A complexa incumbência de falar de si mesmo. Nunca se sabe ao exato o que é importante incluir nesse tipo de coisa. O que é é relevante e o que é inútil?

(se formos completamente sinceros, tudo é inútil, então tentarei ser breve)

Nasci em Brasília, mas cresci em Goiânia. De parte de mãe meus familiares são todos piauienses, e de parte de pai são todos do interior de Goiás e Pará. Isso significa que estou acostumada com grandes números de pessoas à mesa, festas familiares de arromba, muito barulho, grosserias que demonstram afeição, mais barulho e pessoas muito loucas. Também significa que eu não tenho dó de quem reclama de calor. (A não ser os cuiabanos, aqueles pobres coitados.)

Mesmo assim, por algum motivo, eu sempre achei minha vida meio que besta. Acho que quando você é pequeno você acaba idealizando o jeito que a vida tem que ser, por estar tão exposto a tudo quanto é tipo realidade. Filmes, novelas, manicures do salão, amigos da escola, professores, gibis, livros, desenhos, entrevistas, História, Matemática, Ciências, Bíblia, aqueles senhores em fila de banco, todo mundo parece ter uma história pra contar, e a sua própria vida sempre parece meio apagada em comparação. Pelo menos era assim que eu me sentia, então eu inventava coisas para deixar minha vida mais interessante. E mesmo quando eu contava verdade (o que acontecia, OK, eu não era uma máquina de mentir ambulante), eu tentava adorná-la o máximo possível, para tentar deixar as coisas picantes.

Então eu cresci, jurando que a profissão da minha vida seria Jornalismo (uma visão completamente idealizada por ficção), e quando cheguei à faculdade, não era exatamente o que eu esperava. Entre outras coisas que não me agradavam muito, eu me dei conta de algo que devia ter percebido anos antes, se tivesse parado por um segundo para pensar: essa coisa de "adornar a verdade" que eu sempre amei fazer, não era exatamente ético no mercado jornalístico. Então eu larguei o curso, sofri uma época intensa de crise existencial, como manda a etiqueta, e então depois de um momento de epifania não muito impressionante (praticamente óbvio, para falar a verdade), eu entrei na faculdade de Letras.

E agora eu estou por aí, escrevendo e tudo o mais. E agora eu posso deixar a vida de qualquer pessoa interessante. Isto é, claro, se eu estiver a fim de escrever sobre ela.